Ink of Ages Fiction Prize
Historical & Mythological Short Fiction
World History Encyclopedia's international historical and mythological short story contest
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Faaris Jamali é estudante da Escola de Gramática de Karachi em Karachi, no Paquistão, onde nasceu. Ele mora com os pais e dois irmãos mais novos em uma casa perto do mar. Na escola, gosta de estudar as grandes obras da literatura inglesa. É um leitor assíduo e seus gêneros preferidos incluem fantasia e mistério.
“Almas Fragmentadas, Luz Eterna” foi inspirada na lenda de um lago no Paquistão. Segundo a lenda, fadas descem dos céus em noites de lua cheia para se banhar em um lago (hoje conhecido como Saif-ul-Malook). Certa vez, um príncipe chamado Saif ul Malook avistou uma fada dançando na superfície do lago enquanto explorava a área. Intrigado pela criatura mágica, ele roubou as roupas dela e se recusou a devolvê-las até que a humilde fada aceitasse se casar com ele. Ela era a rainha e a mais bela de todas as fadas. O príncipe e a fada se apaixonaram, mas o casamento deles enfureceu o amante demônio da fada, que inundou todo o vale e prendeu a rainha das fadas nas montanhas. O príncipe continuou esperando pelo retorno de sua amada após a água baixar, mas foi em vão.
Eu nunca tinha visto nada como aquilo. Em todos os meus anos viajando pelo mundo e procurando por relíquias antigas, nunca me deparei com algo tão... complexo, tão sofisticado. A pedra cintilava sob a luz da lua cheia, seu formato era como o de... uma lágrima, um ansu. Acariciei a joia em minha mão, sentindo cada uma das ranhuras.
Uma onda de tristeza me soterrou como uma avalanche, e eu desabei na beira do rio com meus pensamentos girando em frenesi.
Faz éons desde que a vi. Lembro quando avistei sua figura etérea pela primeira vez, dançando no lago das fadas. Seu cabelo esvoaçante brilhava como fios de prata e caía por suas costas. Seus olhos eram mais profundos que o lago em que ela se banhava e tinham um brilho travesso que me deixava ainda mais intrigado.
Eu me sentia vivo com ela, escutando suas canções excêntricas sob o luar. Não lembro quanto tempo passamos juntos. Pode ter sido um milênio, pode ter sido um dia.
Eu me contorcia no chão, com a testa cheia de gotas de suor. Atordoado e extremamente confuso, foquei minha visão no que estava à minha frente. A pedra reluzia com um brilho agourento, quase como se me desafiasse a tocá-la de novo.
Ele foi um explorador, não muito diferente de mim, que veio em busca de algo especial, algo para preencher o vazio dentro dele. E ele conseguiu. E, por um momento, ficou eufórico. Mas depois tudo foi tomado do príncipe. Ainda assim, ele permanecia neste mundo, sua alma se recusava a partir até que estivesse inteira outra vez.
Mas quem condenou esse homem a um destino tão infeliz? Suspirei pesadamente... e fixei meu olhar naquela maldita pedra.
No Egito, eu era conhecido como Saif-ul-Mulook, a espada dos reis. E era de fato dessa forma que eu passava meus dias. Fui de reinos para sultanatos, um peão no jogo de xadrez de meu pai. Nunca falhei uma missão, mas também nunca gostei de matar desconhecidos pelo governante das terras negras do Kemet. No entanto, algo me atraiu para os jardins de Caiber. Algo... ou alguém.
Badri-ul-Jamala, pois era assim ela se chamava, era a rainha de sua espécie. Ela também ainda não tinha descoberto seu propósito. Com frequência, nós sonhávamos com um futuro juntos. Ela, a rainha das fadas, e eu, o príncipe rejeitado do Egito. Ela me ajudou a me recuperar do meu estado de completa aflição, me ajudou a encontrar sentido quando tudo parecia estar perdido. Ela era minha esperança, meu desejo, meu amor, mais valiosa que qualquer joia do planeta. E então ela desapareceu.
Eu ainda conseguia sentir o calor dela em meus braços, a delicadeza de sua respiração no meu pescoço, a forma como sua risada ecoava como música pelo ar. Ela era tudo que eu precisava e não sabia, tudo que busquei em todos os meus anos vagando, lutando, sobrevivendo. E, agora, ela foi tomada de mim.
Aconteceu tão rápido. Uma hora estávamos juntos à beira do lago, o nosso santuário, onde a risada dela e o luar dançavam como um. Na outra, o chão tremeu abaixo de nós e as águas calmas do lago viraram ondas violentas, se agitando como a ira de um deus. Foi então que ouvi aquela voz. Grave, retumbante, cheia de um ódio que me dava calafrios.
O som do urro de Deuo Sufaid era como um martelo contra minha alma. Eu tinha ouvido histórias sobre o amante demônio dela, mas nunca imaginei tamanha fúria. Antes que pudéssemos nos mover, a terra se dividou sob nossos pés, e o gigante surgiu das profundezas do lago. A figura monstruosa pairou sobre nós, pálida como ossos, os olhos fervilhando de ódio. Ele era maior que as montanhas e sua silhueta estava cercada de nuvens tempestuosas que escureceram o céu em um instante.
A gargalhada do gigante ecoou por todo o vale, fazendo até mesmo as montanhas ao nosso redor tremerem.
— Seu tolo — zombou ele, com os olhos estreitos fixos em mim. — Pegou algo que não lhe pertence. Agora sofrerá por isso.
Ele ergueu os enormes braços e o céu o respondeu. O vento uivou como uma fera descontrolada, as nuvens se transformaram em uma tempestade impetuosa. Em seguida, a superfície do lago se ergueu, primeiro foi uma oscilação, depois uma onda, e finalmente um paredão de água que avançou em nossa direção com a força de cem temporais.
Eu agarrei a mão dela e a puxei para mim, desesperado para escapar, para fugir. Mas era tarde demais. A onda caiu sobre nós, nos acertando com a força de uma montanha. A água gelada me engoliu, me puxando para baixo e me arremessando como uma boneca de pano em uma tormenta. Ela escapou do meu aperto, meus dedos soltando os dela enquanto a corrente me arrastava para longe.
— Não! — gritou ela, com as asas reluzindo em uma última explosão de magia. Uma lágrima escorreu pela bochecha dela, um ansu.
Ele estendeu a mão, nela havia uma pedra. Seus dedos crepitaram com magia sombria. Um raio de energia foi disparado da pedra, atingindo o peito de Badri.
Ela gritou enquanto a magia a envolvia, a puxando em direção ao amuleto. Ela se debateu, sua essência resistindo ao puxão, mas era inútil. Centímetro por centímetro, seu corpo se dissolvia em luz, seu próprio ser era absorvido pelo núcleo da pedra.
Raiva e desespero se contorceram em meu âmago, um grito de agonia irrompendo do meu peito. Eu a perdi. Meu amor, minha rainha, tomados de mim por uma criatura poderosa demais para que eu pudesse impedir. Mas mesmo com lágrimas de frustração queimando em meus olhos, algo dentro mim se recusava a desistir. Eu não deixaria que aquele fosse o fim.
A pedra brilhava nas minhas mãos, amaldiçoada, abandonada. E eu sabia o que tinha que fazer.
Eu a ergui e então a joguei no chão.
Ela se despedaçou em um milhão de pedaços.
Duas luzes escaparam. Radiantes, livres.
Elas voaram para o céu.
Ao se entrelaçar, elas se tornaram uma.
E então havia luz.
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