Ink of Ages Fiction Prize
Historical & Mythological Short Fiction
World History Encyclopedia's international historical and mythological short story contest
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Moro na Austrália com minha família grande e agitada. Gosto de ler, escrever,cozinhar e desenhar, além de várias outras coisas!
“A Derrota do Imperador” foi inspirada por uma pequisa sobre Napoleão para a escola — a saga dos coelhos me fascinou!
— Foi um ótimo entretenimento, meu querido Berthier! Meus parabéns. — O Imperador Napoleão Bonaparte se recostou na cadeira almofadada, tirando algumas migalhas do uniforme.
O Marechal Alexandre Berthier levantou e se curvou em resposta.
— Agora... sobre os coelhos... — Napoleão ergueu uma sobrancelha para Berthier.
— Certamente! Louis, diga para soltarem os coelhos no parque.
Louis, um homem alto vestido com o uniforme da guarda de Berthier, fez uma continência e deu um passo em direção à porta antes que a voz do Imperador o chamasse de volta.
— Louis, certo? — Napoleão perguntou, olhando para o homem de cima a baixo.
— Exatamente, Imperador.
— Quem conseguiu esses coelhos?
— Eu, Imperador — Louis respondeu, claramente contente por receber reconhecimento.
— Mil coelhos, Imperador! Pedi especialmente para Louis os pegar. Eu confiaria nele para qualquer coisa. Devo chamar a sua carruagem? O local fica a uma curta distância daqui, bem nos arredores de Paris — Berthier falou com entusiasmo, se virando para Napoleão.
— É claro! — Napoleão levantou bruscamente, e o resto do grupo levantou com ele.
Berthier tinha razão, a viagem não era longa e logo eles chegaram ao parque. Já fazia algum tempo que a maior fonte de prazer do Imperador da França era caçar. Pouco importava qual fosse a presa. Todos os cortesãos tentavam agradar ao Imperador, que tanto gostava desta atividade, mas poucos tiveram a sorte de que o seu convite fosse reconhecido, quanto mais aceite
Berthier, como Marechal, era muito estimado pelo Imperador e escolheu o momento certo para fazer o seu convite. Napoleão estava, naquele dia, extremamente satisfeito com o sucesso dos Tratados de Tilsit. Ele tinha conseguido assinar tratados com a Rússia e a Prússia, além de convencer a Rússia a se aliar a eles.
A partir dali, Napoleão passou a ter, na prática, o direito de controlar o comércio em toda a Europa. Um momento certamente muito adequado para o convite de Berthier.
O parque de Berthier era o lugar perfeito para caçadas. Um campo extenso, com árvores e arbustos espalhados, e, é claro... os coelhos. Berthier estava contente. O almoço foi ótimo, o Imperador estava de bom humor — os preparativos, na opinião dele, foram impecáveis. Mas, como os futuros acontecimentos viriam a mostrar, nunca se deve confiar no que foi preparado por humanos.
Napoleão, impaciente, batia o pé enquanto os jardineiros corriam de um lado para o outro, claramente animados com a oportunidade de agradar o Imperador. Por fim, ele disse para Berthier com ironia:
— O que é isso? As gaiolas nem foram abertas e já têm coelhos por toda parte!
Berthier riu e disse a Louis e aos jardineiros para abrirem as gaiolas. Não era necessário fazer mais preparativos.
Com cuidado, os homens ajustaram a mira. Os jardineiros seguraram as portas das gaiolas e esperaram pelo sinal do Imperador. Como era de se esperar, o sinal foi dado e os coelhos foram soltos! Conforme a primeira onda de corpos peludos saía das gaiolas, os rifles de caça eram disparados e vários daqueles corpinhos caíam no chão. Mas... inexplicavelmente... eles não se espalharam e fugiram como esperado. Como uma avalanche de pelos, eles se lançaram na direção de Napoleão e dos seus homens! Parecia que seriam cercados a qualquer momento, mas Berthier entrou em ação.
— Cocheiros! Peguem os chicotes e forcem esses vermes a recuar!
Os cocheiros obedeceram e conseguiram fazer com que os coelhos dessem meia-volta e fugissem dos chicotes. Os homens, imaginando que aquele seria o único acontecimento inexplicável, deram um passo adiante, posicionando as suas armas.
Mas os coelhos não se comportaram da forma que eles esperavam! Apesar de terem se espalhado, eles só fugiram até ficarem fora do alcance dos chicotes e depois se reagruparam! Quando esse estranho fenômeno foi percebido, os chicotes dos cocheiros já tinham sido devolvidos às carruagens e não havia tempo para repetir o método de defesa usado anteriormente.
Em questão de segundos, Napoleão e seus guardas foram cercados... os coelhos pulavam ao redor deles, cercando suas pernas de forma que não conseguissem se mover.
O Imperador da França, Napoleão Bonaparte I, e os seus homens foram subjugados por mil coelhos. Chutá-los para longe era impossível. Armas não serviam para nada. Para cada coelho que matavam, outros cinco apareciam no lugar. Muitos homens gritaram, as vozes chegando a um falsete constrangedor.
— Mas... O QUE... é isso?! — Napoleão gritou para Berthier, as palavras sendo proferidas em fragmentos.
O rosto de Berthier ficou vermelho de raiva.
— Imperador... Eu não sei... — ele parou de falar quando um coelho o interrompeu. — Mas... — ele continuou com os dentes cerrados, forçando as palavras. — Eu vou descobrir.
— Para as carruagens, cavalheiros! — Napoleão berrou, se curvando para afastar os coelhos com as mãos. Atravessando um mar de pelo, o Imperador, Berthier e os outros chegaram às carruagens. Os cocheiros ajudaram da melhor forma que podiam e finalmente todos conseguiram entrar. Antes de partirem, vários coelhos foram retirados do pavimento e os cocheiros tentaram sair do local. Mas isso se mostrou impossível! Os coelhos se aglomeraram ao redor das carruagens, formando um obstáculo efetivo e inconveniente. Finalmente, com a ajuda dos chicotes, a cavalgada deixou o parque.
Berthier sabiamente garantiu um lugar em uma carruagem diferente do Imperador e estava furioso. O que poderia ter possuído aqueles coelhos? O dia todo foi arruinado, e ele, com certeza, levaria a culpa por isso. Assim que voltaram para a mansão, Berthier confrontou Louis.
— Pelos céus, o que foi tudo aquilo?
— Senhor, eu não sei dizer! — Louis, em sua posição delicada, se sentiu extremamente constrangido.
Berthier precisou respirar fundo por um tempo para recuperar a compostura.
— Onde você conseguiu aqueles coelhos?
— Na fazenda de coelhos, senhor. Eles são criados em gaiolas.
— Mas pelo amor de... Louis, seu tolo! — Berthier teria continuado amaldiçoando o pobre servo se não fosse pela chegada de Napoleão.
— E então, Berthier, o que foi toda aquela situação inusitada?
— Louis, esse tolo, pegou coelhos domesticados em vez de selvagens! Aqueles vermes devem ter nos confundido com cortadores de repolhos! — Berthier respondeu com uma carranca.
Para o alívio de todos, Napoleão começou a gargalhar.
O dia de Berthier foi arruinado, mas os coelhos provavelmente estavam muito felizes — eles tinham um parque inteiro só para eles!
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